O medo da violência ainda existe porque a violência ainda existe.
Ela nunca me respeitou como homem ou como indivíduo, ela já me ofendeu pelo meu gênero, pelos meus traumas e também pelos meus valores e opiniões. Por não conseguir me afastar completamente dela eu fui testando uma distância na qual estivesse seguro para não correr o risco de desrespeitá-la. Até eu entender que não existe distância segura, até eu começar a implementar a maior distância possível.
Até eu me conformar que ela sempre me deu aquilo que teve pra dar e que suas oscilações são fruto de qualquer coisa que eu não poderia nunca entender, amenizar ou me responsabilizar. Eu suspeito que ela não conhece uma relação de paz, pois vive dizendo que sente falta de quando estávamos juntos, tempos esses que foram péssimos, violentos, cheios de brigas, desrespeito e muito, muito medo.
Como sempre também existiu afeto entre nós e como paradoxalmente ela fez muito por mim, eu posso entender e me perdoar por não ter percebido que eu estava em um relacionamento abusivo. Eu entendo as outras pessoas que também estão ou estiveram em um relacionamento similar. Elas olham para o afeto que está tão misturado com a violência e ficam tentando separar. Não da pra separar, mas tem uma hora da nossa vida que a gente não vê que não da pra separar.
Quando a violência e a falta de respeito vão ficando mais frequentes a nossa autoestima vai caindo proporcionalmente, até que chegamos a duvidar se somos culpados por provocar a violência em quem está nos violentando. A maioria das vezes a violência é tão emaranhada com o afeto que as pessoas que estão olhando a situação de fora também não percebem, principalmente quando não há feridas visíveis. E se ninguém percebe ou reconhece a violência, ela se propaga como algo natural.
Quem apanha dentro de casa pode não denunciar por medo, vergonha ou simplesmente por acreditar que aquele machucado foi resultado de um momento de descontrole de uma briga comum, de uma relação comum. Quem sofre assedio moral contínuo dentro de casa pode não perceber tão evidentemente a relação abusiva como perceberia se fosse no trabalho ou na rua, pode acabar acreditando que é normal escutar ofensas constantes. Relacionamento abusivo pode existir em diversas relações familiares e de amizade, não apenas em casais.
Acredito que algumas pessoas crescem em ambientes cheios de relacionamentos abusivos e para elas é ainda mais difícil se ver no papel de vítima e ver a outra pessoa no papel de agressor. Ainda mais quando os moldes desse tipo de relação saem do clichê homem e mulher (casal) e se dão entre pais e filhos, irmãos, professor e aluno, funcionários de uma mesma empresa etc. Eu sempre soube que meu relacionamento com ela estava errado, mas acreditava que era só o temperamento dela, fruto da infância conturbada, o que também não deixa de ser.
Foi com o tempo, terapias, leituras e um grande poder de reflexão que eu acredito que hoje tenho que eu percebi que não era só isso. Percebi que ninguém no mundo nunca poderia ter me batido ou humilhado tanto. Então eu abri mão de ter uma relação com ela, embora confesso que as vezes me pego pensando que poderíamos chegar ao ponto em que só existe afeto. Mas não é possível separar, já sei.
terça-feira, 3 de maio de 2016
quinta-feira, 26 de março de 2015
Na Escola
Eu cheguei na escola sem conhecer ninguém, naquela escola pequena daquela cidade pequena em que todo mundo me olhava meio curioso. Eu não fazia ideia do tipo de gente que eu iria me aproximar e não lembro como me aproximei de você. Você não gostava de música sertaneja, gostava de jogar tênis e falar pelos cotovelos. Eu não gostava de quase nada.
Tinha uma reguinha preta no seu estojo que a gente chamou de Willy e em muitos dos nossos momentos de abstração ela, a régua, mergulhava no ar. A janela do fundão dava pra uma bananeira (personagem de tantas histórias) e eu consigo sentir o cheiro da terra e o calor que marcou aquele ano, lembro da camiseta com a frase do Bob Marley, das pulseirinhas de miçangas e de todas as cores que meu cabelo teve.
Tinha o seu caderno que a gente usava pra anotar o resultado das nossas apostas sobre os possíveis casais, beijos e pés na bunda. Sobre algum time ganhar algum jogo, as nossas médias nos simulados e qualquer outra coisa que nos distraísse. No final do ano o grande perdedor pagaria uma consulta com a mulher do tarô pra gente poder desmascarar a “vigarista”. Você ganhou e nunca me cobrou.
Lembro daquele churrasco em que te convenci a andar de noite na estrada comigo pra gente achar um orelhão porque eu precisava avisar meu namorado que chegaria tarde na cidade. Da vez em que liguei pra sua namorada a seu pedido e interpretei uma telemensagem com trilha sonora do filme Titanic porque você não quis gastar sua mesada com presente. Lembro de quando fui almoçar na casa da sua avó e da comida deliciosa que ela fez. Do seu cachorro Boris/Priscila e da minha cadela Laila, eleita o cão mais feio do mundo.
A plaquinha com o meu nome daquela empresa do seu pai está até hoje colada na porta do quarto que era meu, na casa da minha mãe. Eu te ligava de tarde depois da escola pra passar o tempo ou contar alguma fofoca e você normalmente brigava comigo (menos quando a fofoca era boa), depois no fim do dia todo mundo ia de bicicleta até o clube e ficava lá fazendo esporte, namorando ou fazendo conversa fácil.
Eu passei a maior parte do ano letivo virada pra sua carteira falando e conspirando. Teve o dia em que a gente se surpreendeu pelo fato de hipérbole ser ao mesmo tempo tema de Língua Portuguesa e Matemática e achou que a professora tava dando aula errada, teve o dia que a Dona Adélia me deu um tapinha no rosto e disse que meu rostinho lindo não me levaria a lugar algum e explodimos em gargalhadas.
A gente disputava quem tirava as menores notas e planejava voltar na cidade depois de anos pra esfregar na cara dos professores nossos carrões e sucesso, que era certo. Eu tenho a foto que a gente fez questão de tirar na formatura da escola, mas perdi os tantos e-mails que trocamos depois disso. Passadas muitas histórias de tantos tempos diferentes, ainda hoje quando te encontro é como se você tivesse sempre estado aqui, é como se fosse tirar a Willy da carteira para um incrível mergulho no ar.
Tinha uma reguinha preta no seu estojo que a gente chamou de Willy e em muitos dos nossos momentos de abstração ela, a régua, mergulhava no ar. A janela do fundão dava pra uma bananeira (personagem de tantas histórias) e eu consigo sentir o cheiro da terra e o calor que marcou aquele ano, lembro da camiseta com a frase do Bob Marley, das pulseirinhas de miçangas e de todas as cores que meu cabelo teve.
Tinha o seu caderno que a gente usava pra anotar o resultado das nossas apostas sobre os possíveis casais, beijos e pés na bunda. Sobre algum time ganhar algum jogo, as nossas médias nos simulados e qualquer outra coisa que nos distraísse. No final do ano o grande perdedor pagaria uma consulta com a mulher do tarô pra gente poder desmascarar a “vigarista”. Você ganhou e nunca me cobrou.
Lembro daquele churrasco em que te convenci a andar de noite na estrada comigo pra gente achar um orelhão porque eu precisava avisar meu namorado que chegaria tarde na cidade. Da vez em que liguei pra sua namorada a seu pedido e interpretei uma telemensagem com trilha sonora do filme Titanic porque você não quis gastar sua mesada com presente. Lembro de quando fui almoçar na casa da sua avó e da comida deliciosa que ela fez. Do seu cachorro Boris/Priscila e da minha cadela Laila, eleita o cão mais feio do mundo.
A plaquinha com o meu nome daquela empresa do seu pai está até hoje colada na porta do quarto que era meu, na casa da minha mãe. Eu te ligava de tarde depois da escola pra passar o tempo ou contar alguma fofoca e você normalmente brigava comigo (menos quando a fofoca era boa), depois no fim do dia todo mundo ia de bicicleta até o clube e ficava lá fazendo esporte, namorando ou fazendo conversa fácil.
Eu passei a maior parte do ano letivo virada pra sua carteira falando e conspirando. Teve o dia em que a gente se surpreendeu pelo fato de hipérbole ser ao mesmo tempo tema de Língua Portuguesa e Matemática e achou que a professora tava dando aula errada, teve o dia que a Dona Adélia me deu um tapinha no rosto e disse que meu rostinho lindo não me levaria a lugar algum e explodimos em gargalhadas.
A gente disputava quem tirava as menores notas e planejava voltar na cidade depois de anos pra esfregar na cara dos professores nossos carrões e sucesso, que era certo. Eu tenho a foto que a gente fez questão de tirar na formatura da escola, mas perdi os tantos e-mails que trocamos depois disso. Passadas muitas histórias de tantos tempos diferentes, ainda hoje quando te encontro é como se você tivesse sempre estado aqui, é como se fosse tirar a Willy da carteira para um incrível mergulho no ar.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
Vontade
Fiquei pensando no que eu quero fazer, no que eu gosto de fazer e no que eu preciso fazer. A gente precisa mesmo de poucas coisas, todas as outras a gente apenas quer, tem vontade. Eu tenho pavor de viver achando que eu preciso de um monte de coisas que na verdade nem preciso, negligenciando a minha vontade. Gosto do resultado das decisões tomadas a partir da premissa o que eu estou com vontade de fazer, a despeito de todo o resto.
Oração
Que eu possa expressar o que sou com toda a plenitude do meu ser e
aceitar tudo aquilo que vier em troca como um pedaço de conhecimento.
Que eu interaja com as pessoas de maneira harmoniosa e inteira e que eu
tenha condições de viver as situações que fazem parte do meu aprendizado
com sabedoria para aceitar o que for diferente daquilo que planejo. Que
eu prove a matéria em suas mais diferentes formas, inclusive através do dinheiro, e que a minha mente não fique presa a
nenhum valor, ideia ou conceito para que haja espaço para experimentar, me
transformar e me desenvolver. Que todas as experiências
construam alicerces e andares em mim, pois quanto maior eu ficar mais
compreenderei as coisas desse mundo, e acima de tudo, que a minha
confiança em mim mesma e no universo não falhe para que eu consiga lembrar que seja
lá o que estiver acontecendo é bom, certo e passageiro.
segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
2014
Eu sempre fui movimento, vivia buscando mais porque merecia ou talvez fosse só o meu ego articulando, mas o meu ego é parte de mim e eu sou parte do eterno movimento da vida. Não havia como conceber uma pausa.
Então houve um tempo em que eu já não sabia direito pra onde eu estava indo e o que eu vi ao meu redor foi só desconstrução, pensei que talvez se eu mudasse tudo de lugar eu poderia encontrar alguma peça que encaixava.
Achei, mas a procura me cansou de tal maneira que quando me dei conta o meu movimento havia cessado. Decidi sentar e descansar ali mesmo na incompletude, no cotidiano tal qual ele é e deixei que todas as coisas acontecessem enquanto eu contemplava.
Tive um ano leve e cheio de dias de paz, me senti mais presente e livre como se tudo o que eu sou estivesse escancarado o tempo todo, talvez porque eu tive mais espaço para ser. Eu fui tanto que expandi e quando me dei por mim eu já estava em movimento novamente.
Então houve um tempo em que eu já não sabia direito pra onde eu estava indo e o que eu vi ao meu redor foi só desconstrução, pensei que talvez se eu mudasse tudo de lugar eu poderia encontrar alguma peça que encaixava.
Achei, mas a procura me cansou de tal maneira que quando me dei conta o meu movimento havia cessado. Decidi sentar e descansar ali mesmo na incompletude, no cotidiano tal qual ele é e deixei que todas as coisas acontecessem enquanto eu contemplava.
Tive um ano leve e cheio de dias de paz, me senti mais presente e livre como se tudo o que eu sou estivesse escancarado o tempo todo, talvez porque eu tive mais espaço para ser. Eu fui tanto que expandi e quando me dei por mim eu já estava em movimento novamente.
domingo, 28 de setembro de 2014
Concursos Públicos
Comecei a estudar para concurso público no final de 2012 por desespero. Com exceção de algumas carreiras da magistratura e daqueles que crescem com objetivo de vida de ser policial, a maioria das pessoas que eu conheço e que chegaram ao caminho dos concursos foi por falta de opção melhor mesmo. Nenhuma criança cresce dizendo que quer ser Analista da Receita Federal.
E normalmente quando todas as outras opções são péssimas e a gente percebe que o concurso pode garantir um bom salário com uma qualidade de vida OK vem aquela sensação de perda de tempo por não ter pensado antes nisso. Acontece com a maioria das pessoas que estão nesse caminho e comigo foi a mesma coisa, fiquei alguns anos tentando me acertar em uma carreira que eu não gostava e sem nenhum sucesso e de repente tive esse insight.
Sou Publicitária. Eu me considerava uma pessoa criativa, aliás todos me consideravam uma pessoa criativa e eu pensei que poderia usar essa skill na minha carreira profissional. Gostei muito do curso e trabalhei na área em diversas empresas, odiei quase todas, fui mandada embora de várias e nunca aceitei o fato de eu não conseguir achar um caminho profissional estável. Então fiquei tentando, fiz especialização, mudei para o interior, fiz mestrado e nada mudou, não fiquei bem e nem consegui estabilidade profissional e financeira.
Cansei de procurar satisfação e decidi me focar na estabilidade, precisava. Eu tinha 30 anos, nenhum dinheiro na minha conta e nenhuma ideia na manga. Eu tinha parado de trabalhar por um tempo com objetivo de focar em um mestrado e já fazia mais de um ano que não ganhava salário, o dinheiro já tinha ido pelo ralo. E também depois da minha última experiência frustrada de trabalho eu precisei de um tempo para ver se alguma ideia melhor aparecia, concurso público foi a minha melhor ideia.
Assim me tornei funcionária pública. Tudo começou com um pedido um pouco acanhado ao meu pai para que me ajudasse a financiar um curso preparatório e ele me apoiou, eu não tinha mais nada na manga. Escolhi um concurso pra focar e me joguei de cabeça e sem olhar pra trás, não deu certo dessa vez e nem de muitas próximas. Mas uma hora deu, estudo é cumulativo e essa é a vantagem de de não desistir desse caminho, depende mais da gente que dos outros.
O que achei? Valeu a pena por um período. A minha experiencia pessoal foi boa, vivi coisas que jamais achei que viveria. Aprendi, cresci, me transformei. Tive estabilidade em todos os sentidos e tranquilidade para cuidar dos filhos que depois tive. É muito louco saltar da iniciativa privada para a vida pública, é bem diferente por motivos bons e ruins, o que se pode encontrar depende do órgão público e das escolhas e trajetória do ingressante. Eu quis qualidade de vida e estabilidade e encontrei bem mais.
E normalmente quando todas as outras opções são péssimas e a gente percebe que o concurso pode garantir um bom salário com uma qualidade de vida OK vem aquela sensação de perda de tempo por não ter pensado antes nisso. Acontece com a maioria das pessoas que estão nesse caminho e comigo foi a mesma coisa, fiquei alguns anos tentando me acertar em uma carreira que eu não gostava e sem nenhum sucesso e de repente tive esse insight.
Sou Publicitária. Eu me considerava uma pessoa criativa, aliás todos me consideravam uma pessoa criativa e eu pensei que poderia usar essa skill na minha carreira profissional. Gostei muito do curso e trabalhei na área em diversas empresas, odiei quase todas, fui mandada embora de várias e nunca aceitei o fato de eu não conseguir achar um caminho profissional estável. Então fiquei tentando, fiz especialização, mudei para o interior, fiz mestrado e nada mudou, não fiquei bem e nem consegui estabilidade profissional e financeira.
Cansei de procurar satisfação e decidi me focar na estabilidade, precisava. Eu tinha 30 anos, nenhum dinheiro na minha conta e nenhuma ideia na manga. Eu tinha parado de trabalhar por um tempo com objetivo de focar em um mestrado e já fazia mais de um ano que não ganhava salário, o dinheiro já tinha ido pelo ralo. E também depois da minha última experiência frustrada de trabalho eu precisei de um tempo para ver se alguma ideia melhor aparecia, concurso público foi a minha melhor ideia.
Assim me tornei funcionária pública. Tudo começou com um pedido um pouco acanhado ao meu pai para que me ajudasse a financiar um curso preparatório e ele me apoiou, eu não tinha mais nada na manga. Escolhi um concurso pra focar e me joguei de cabeça e sem olhar pra trás, não deu certo dessa vez e nem de muitas próximas. Mas uma hora deu, estudo é cumulativo e essa é a vantagem de de não desistir desse caminho, depende mais da gente que dos outros.
O que achei? Valeu a pena por um período. A minha experiencia pessoal foi boa, vivi coisas que jamais achei que viveria. Aprendi, cresci, me transformei. Tive estabilidade em todos os sentidos e tranquilidade para cuidar dos filhos que depois tive. É muito louco saltar da iniciativa privada para a vida pública, é bem diferente por motivos bons e ruins, o que se pode encontrar depende do órgão público e das escolhas e trajetória do ingressante. Eu quis qualidade de vida e estabilidade e encontrei bem mais.
domingo, 15 de junho de 2014
Despedida
Eu não sei dizer se você é o homem mais egoísta que eu conheci porque acho que conheci muitos homens egoístas, mas nenhum deles foi tão importante pra mim a ponto de eu lembrar agora, nenhum deles foi tão importante pra mim quanto você. Eu não digo isso por falta de amor ou falta de coisas, tenho certeza que o amor é abundante e você me deu muito mais coisas do que eu esperava. Digo isso porque cada gota de amor e cada centésimo de coisa foi condicionado. Houve condições tão pesadas, com juros tão altos de um preço já caro, que eu não dei conta de cumprir e isso me destruiu em diversos momentos, me enfraqueceu demais. Gastei muita energia buscando o seu amor, tentando te dar o amor na forma em que me era cobrado. Eu sempre busquei o seu amor desesperadamente porque nem sempre tive a certeza de que o tinha, porque a pesar de você ser meu porto seguro e eu não dar um passo sem ouvir sua opinião, o seu humor me oscilava (um porto fica mais seguro em mares calmos e a nossa praia sempre foi brava). Eu vivi tentando dar respostas às indagações que imaginei que você tinha porque eu queria viver de forma plena esse amor que sempre teve o ritmo que você deu a ele. Um amor tão grande e tão próximo que eu pensei que pudesse pagar qualquer preço e aceitar qualquer condição por ele, mas há tempos já sei que não posso, que repetir as mesmas situações sempre não passa de vício, do nosso vício. Então me despeço para que pela primeira vez na vida eu consiga viver nossa relação sem as contas habituais. Para que eu possa viver esse amor tão sabidamente grande que nos trouxe até esse ponto. Final.
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