Qual é o lixo que eu tento varrer para debaixo do tapete? Normalmente quando estou em um abismo emocional, que é como chamo o estado em que pensamentos negativos vem a mente de maneira acelerada e repetitiva e a ansiedade aumenta substancialmente, é quando a compulsão vem. As palavras chaves dos meus abismos emocionais são fracasso e não aceitação.
Percorrendo a minha história facilmente encontro situações nas quais eu me senti fracassada e não aceita, escrevi um pouco sobre isso no meu texto Medo. Superar a compulsão alimentar está diretamente ligado a reconhecer quando estamos em um abismo emocional e achar um caminho de volta para a serenidade, a parte difícil é que o único caminho de volta para a serenidade é olhar o lixo todo e inevitavelmente sentir dor, aceitar o medo, a frustração e tudo o que vier.
Uma mulher a quem admiro me disse na adolescência que se eu quisesse ofender meus oponentes em discussões bastava que eu os chamasse de frustrados, pois essa é uma ofensa certa uma vez que todos somos frustrados por um motivo ou outro. É verdade, a diferença é como lidamos com as nossas frustrações, a nossa vulnerabilidade e todas as decisões ruins que fazem parte de qualquer vida.
Mostrando postagens com marcador compulsão alimentar. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador compulsão alimentar. Mostrar todas as postagens
quinta-feira, 13 de junho de 2019
terça-feira, 11 de junho de 2019
Relatos #compulsãoalimentar1
Porque quero falar de compulsão alimentar. O que eu sei? Que não é possível super compulsão alimentar só com dietas, que dietas restritivas apenas intensificam a compulsão, que é preciso entender os gatilhos para pausá-los, quanto maior o número de vezes que forem pausados menos aparecerão ao longo do tempo.
O que eu ganho durante um episódio de compulsão alimentar é o alívio imediato da minha ansiedade, eu tenho associado os meus episódios de compulsão alimentar com televisão mais frequentemente porque isso funciona como uma anestesia para o desconforto. Assim eu consigo distrair a mente dos sentimentos negativos e sentir apenas prazer.
Eu acho que não vale o custo x benefício. Depois do episódio de compulsão, além de eu ter que lidar com o meu desconforto emocional muitas vezes tenho que ligar com o desconforto gástrico causado por grandes quantidades de comida ou alimentos que contém grande teor de açúcar e outras substâncias que causam mal estar. Mesmo sabendo os contras eu volto a esse comportamento.
Tive a ideia de falar sobre compulsão alimentar para acertar mais em pausar meus gatilhos. Com todas as informações que tenho hoje sobre compulsão e alimentação de qualidade sei que dieta nenhuma vai me ajudar não importa em quantos nutricionistas, endócrinos ou clínicas de estética eu vá. Fui a muitas boas nutricionistas nos últimos anos que me ensinaram sobre alimentação e saúde e foi super válido, porém infelizmente só informação não cura.
Embora terapia e grupos de ajuda foram eficientes. Sei que existem milhões de pessoas no planeta na mesma luta que eu, sei que todos os compulsivos precisam de apoio e há momentos em que o apoio é fundamental para enfrentar a jornada de cura, mas o meu momento agora é organizar todo o conhecimento que já adquiri ao longo de mais de vinte e cinco anos e efetivamente refletir e aplicar na minha vida.
Sim, tenho compulsão alimentar desde a infância e posso seguramente dizer que há mais de vinte e cinco anos, mas durante todo esse tempo houveram anos em que eu estive muito bem, sem oscilação de peso e sem qualquer indício de compulsão. Alguns elementos são comuns nas épocas em que estive bem: Eu me sentia segura no meu relacionamento afetivo, no trabalho, fazia exercícios físicos intensos (ajudava com a ansiedade) ou tinha o cigarro como válvula de escape.
Eu gostava de fumar na janela do meu quarto, sentia um prazer enorme fazendo isso como se o cigarro fosse uma pausa das minhas angústias. Eu fumava muitas vezes mais de um cigarro para prorrogar o prazer e depois inevitavelmente tinha que lidar comigo mesma como é com a comida. Eu já não fumo mais há anos porque o cigarro destrói o corpo e se fumo tenho menos energia.
Alguns especialistas em reabilitação dizem que vício em comer é mais complexo que vício em álcool, cigarro, drogas e sexo, pois não vivemos sem comer. Faz bem a um viciado abandonar o objeto de seu vício, o cigarro e algumas drogas recreativas só fazem mal. Porém, sobre alguns casos de dependência, há benefícios em uma boa e esporádica taça de vinho, pessoas se viciam em analgésicos e outras substâncias que aliviam a dor, sexo é uma necessidade biológica. Não seria melhor entender a compulsão e achar um equilíbrio?
Realmente a comida envolve um leque amplo de complexidades pois o nosso corpo muda de acordo com a quantidade e qualidade de alimentos que ingerimos e esse aspecto é ligado a estética e aos padrões de beleza, então a alimentação, além da compulsão, envolve outros distúrbios como a anorexia e a bulimia. A ausência de comida ou o excesso de açúcar no sangue podem ser fatais e essa verdade pode fazer que enxerguemos a comida como algo ruim.
Uma das primeiras coisas que aprendi foi a importância de fazer as pazes com a comida, a comida pode ser nossa aliada nos oferecendo energia para uma rotina atribulada através de nutrientes e vitaminas que também ajudam nossos órgãos a funcionarem melhor e nos deixam mais bonitos e bem humorados. A comida é boa, essa é a lição mais básica de todas, aprender a usar a comida como aliada para inclusive evitar a compulsão.
Comer lanches saudáveis durante o dia, beber água e sentir prazer durante as refeições são armas contra a compulsão. É menos provável que aconteça um episódio de compulsão se não estamos sentindo fome, se estamos hidratados e se temos prazer na alimentação do dia a dia. Aprendi que não precisamos sofrer com uma alimentação restritiva ou ingerindo alimentos que não gostamos, há opções saudáveis e deliciosas e são esses alimentos que vão nos ajudar.
Aprendi com as nutricionistas que é muito mais eficaz, principalmente em casos de compulsão, acrescentar alimentos saborosos e nutritivos na dieta a restringir alimentos calóricos. Mesmo que comer pasta de amendoim com banana bem madura ou iogurte com frutas secas e castanhas (...) seja mais calórico na hora do lanche do que uma maçã, é menos provável que haja compulsão se foi prazeroso e adequado em termos de nutrientes no dia.
Podemos descobrir receitas mais saudáveis (e não necessariamente menos calóricas) para nossos pratos preferidos, aqueles que envolvem memórias afetivas e nos trazem conforto e podemos descobrir pratos de baixas calorias deliciosos para equilibrar na próxima refeição. Uma nutricionista me ensinou a me focar mais no meu corpo, nas sensações físicas, ele mesmo pede e encontra um equilíbrio em dias atípicos, se a alimentação típica tiver qualidade e for adequada.
Mesmo que a comida seja nossa aliada e pensando que por sorte não precisamos comer coisas que não nos dão prazer (comer sem prazer para quem gosta de comer é bem difícil) existe sofrimento sim envolvido em uma jornada de cura para a compulsão alimentar pois os gatilhos que levam a compulsão são gerados por stress, sentimentos ruins sobre a vida e nós mesmos para os quais precisamos olhar. Só conseguimos pausar o gatilho se olharmos para aquilo que estamos tentando evitar durante o episódio de compulsão.
Uma outra coisa legal que aprendi é que a cura não é sobre ter controle, é sobre aceitar o descontrole de algumas situações difíceis nas quais nos encontramos, aceitar a dor e o sofrimento para depois sentir paz e escolher conscientemente atitudes não destrutivas, mesmo que essas não sejam construtivas, mesmo que só reste a opção de respirar fundo e entender que não há mesmo como resolver dada situação, mas vai passar. Porque tudo passa e se transforma.
A cura é sobre lidar com frustrações e toda uma ideia que temos de nós mesmos, crenças que nos foram apresentadas durante uma vida e nunca questionamos porque tampouco as enxergamos. É sobre entender tudo que ganhamos e perdemos com a escolha de ter uma vida diferente, uma vida sem a compulsão. A cura é sobre conhecer limites e essências. Envolve dor.
Comer lanches saudáveis durante o dia, beber água e sentir prazer durante as refeições são armas contra a compulsão. É menos provável que aconteça um episódio de compulsão se não estamos sentindo fome, se estamos hidratados e se temos prazer na alimentação do dia a dia. Aprendi que não precisamos sofrer com uma alimentação restritiva ou ingerindo alimentos que não gostamos, há opções saudáveis e deliciosas e são esses alimentos que vão nos ajudar.
Aprendi com as nutricionistas que é muito mais eficaz, principalmente em casos de compulsão, acrescentar alimentos saborosos e nutritivos na dieta a restringir alimentos calóricos. Mesmo que comer pasta de amendoim com banana bem madura ou iogurte com frutas secas e castanhas (...) seja mais calórico na hora do lanche do que uma maçã, é menos provável que haja compulsão se foi prazeroso e adequado em termos de nutrientes no dia.
Podemos descobrir receitas mais saudáveis (e não necessariamente menos calóricas) para nossos pratos preferidos, aqueles que envolvem memórias afetivas e nos trazem conforto e podemos descobrir pratos de baixas calorias deliciosos para equilibrar na próxima refeição. Uma nutricionista me ensinou a me focar mais no meu corpo, nas sensações físicas, ele mesmo pede e encontra um equilíbrio em dias atípicos, se a alimentação típica tiver qualidade e for adequada.
Mesmo que a comida seja nossa aliada e pensando que por sorte não precisamos comer coisas que não nos dão prazer (comer sem prazer para quem gosta de comer é bem difícil) existe sofrimento sim envolvido em uma jornada de cura para a compulsão alimentar pois os gatilhos que levam a compulsão são gerados por stress, sentimentos ruins sobre a vida e nós mesmos para os quais precisamos olhar. Só conseguimos pausar o gatilho se olharmos para aquilo que estamos tentando evitar durante o episódio de compulsão.
Uma outra coisa legal que aprendi é que a cura não é sobre ter controle, é sobre aceitar o descontrole de algumas situações difíceis nas quais nos encontramos, aceitar a dor e o sofrimento para depois sentir paz e escolher conscientemente atitudes não destrutivas, mesmo que essas não sejam construtivas, mesmo que só reste a opção de respirar fundo e entender que não há mesmo como resolver dada situação, mas vai passar. Porque tudo passa e se transforma.
A cura é sobre lidar com frustrações e toda uma ideia que temos de nós mesmos, crenças que nos foram apresentadas durante uma vida e nunca questionamos porque tampouco as enxergamos. É sobre entender tudo que ganhamos e perdemos com a escolha de ter uma vida diferente, uma vida sem a compulsão. A cura é sobre conhecer limites e essências. Envolve dor.
Assinar:
Postagens (Atom)